Resgate
(Cleide Canton)

Limpando as folhas mortas da saudade,
o tempo assume o hoje, destemido.
Resgata, sem pudor e sem vaidade,
um sonho de dourados guarnecido.

Os velhos sabiás deixam seus ninhos
e brincam nos gramados do jardim.
Tão soltos, nem percebem que os vizinhos
também são lá do tempo do Pasquim.

É cedo ainda! É tempo de quimera,
embora longe deite a primavera
em berço recoberto de cetim.

Acordam novos versos, já bocejam,
embora quem perceba poucos sejam,
o gosto deste vinho de festim.

SP, 03/12/2009
11:00 horas

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Créditos:
 Midi: i_will_wait_for_you.mid
Imagem: Fazenda Santa Rita (uso exclusivo
do site OlhosDeLince. Proibido uso e reprodução)
 

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                        Foto digital: Silvane Sabóia