Não me deixo levar
                     
(Cleide Canton)

Quando mergulhamos de corpo e alma, abraçando a vida como se ela fosse um prêmio qualquer, quando beijamos a magia das paixões como se fosse única, quando esquecemos das paradas obrigatórias para análises mais profundas, quando nos detemos nos pormenores isolados dos melindres, quando trocamos o certo pelo duvidoso pelo simples prazer da aventura, quando precisamos de um tanto a mais de adrenalina para tomarmos decisões de somenos importância, acabamos por descobrir que o viver elementar é todo calcado em alicerces também elementares.

O correto, o justo, o verdadeiro já vem timbrados no nosso eu mais íntimo e tudo o que vem de fora exerce tamanha atração sobre os nossos sentidos que acabamos por complicar os nossos passos, enveredando por caminhos tortuosos que nos levam ao nada, derramando lágrimas por insignificâncias, exagerando risos nos dramas vistos como comédias, exemplificando de mil maneiras uma resposta simples duvidando da capacidade de entender de outrém, vestindo de dourado as nossas
desculpas por um equívoco cometido, como se não nos fosse permitido errar, enlameando fatos e ocorrências que, por si só, já nasceram imundas, exagerando nos pormenores inconsequentes que nada tem a ver com uma história,colocando os holofotes fora do foco, melodias fora de hora, molduras aquém dos limites...

Apenas para deixarmos o papel de coadjuvantes.

Pergunto-me dezenas de vezes se realmente queremos que a vida nos leve ou se queremos levar a vida. Pena que não sou amiga do embebedar-se porque, se o fosse, por certo abraçaria uns bons copos e faria como tantos que não conseguem o equilíbrio na sobriedade. Talvez conseguisse entender os deslizes, a violência, o ódio que leva à loucura, as injustiças legais, a aceitação das lanças apontadas para as virtudes, as mentiras esfarrapadas que andam com pressa para macular o valor da inocência, da vergonha, da honra e da dignidade.

O que realmente incomoda quem já viveu tudo é o descaso para com o ser humano.
Aceitar isso? Acho que jamais, mesmo se tivesse todos os sentidos adormecidos sob o poder de drogas de qualquer espécie. Algo dentro de mim ainda me move em direção à crença de que tudo pode mudar.

E busco olhos que tem a mesma visão e mãos que se ofereçam para tocar as minhas,
corações que ainda se entreguem a sentimentos intensos, vozes que ainda consigam bradar por todos, sem medo, sem constrangimento algum.
Não sei porque essa velhice não me toma depressa e me a arrasta à acomodação, aos tricôs e crochês que aprendi a fazer quando criança, à beatice exagerada... Quem sabe, à cadeira de balanço!...

Pena que ainda não conseguiram uma chave liga-desliga para que meus neurônios tenham sossego e meus pensares não mais incomodem os que deles não compartilham.
 
Em SP, 11 de junho de 2009 – 22:00 horas

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Créditos:
 Midi: i_will_wait_for_you.mid
Imagem: Fazenda Santa Rita (uso exclusivo
do site OlhosDeLince. Proibido uso e reprodução)
 

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