Cala-me
(Cleide Canton)

Cala-me,
antes que este amor
seja o senhor absoluto
do rumo que dou
às palavras quase sem destino,
às frases sem complementos,
às estrofes quebradas
destes meus versos soltos,
aos murmúrios
dos meus cantos loucos...

Cala-me,
antes que o sussurro
se transforme num grito único,
a desvendar teu nome
no momento exato
em que os pratos se unem,
no desfecho desta peça
onde os aplausos não serão para ti.

Cala-me,
no momento
em que a razão ainda ameaça
denunciar este jogo de sedução,
no tempo errado da sorte,
na hora incerta do sonho,
na vez última da verdade.

Cala-me,
para que eu possa ainda
dilatar o tempo da esperança,
sem a dúvida
do que talvez seja intocável
e sem o medo
do olhar que possa decifrar
os enigmas das minhas letras tortas,
e acabar de vez
com estas minhas rimas mortas.

Cala-me
antes que eu emudeça
e ainda consiga erguer a cabeça
para louvar o orgulho
de ser quem sou...

SP, 02/03/2007
13:10 horas

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Créditos:
 Midi: i_will_wait_for_you.mid
Imagem: Fazenda Santa Rita (uso exclusivo
do site OlhosDeLince. Proibido uso e reprodução)
 

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                        Foto digital: Silvane Sabóia